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Sob o céu de Paris
Elisabete Caldeira | Jorge Campião
Editora: Alfarroba
*este livro encontra-se escrito ao abrigo do AO*

“Sob o céu de Paris” retrata uma história monótona sobre um casal que se encontra numa relação extraconjugal em Paris. Toda a narração está desenvolvida em torno das personagens de Carlos e Raquel, deixando as outras personagens nos capítulos adicionais com um papel redutor e pouco explorado, sem sentimentos ou profundidade.

A banalidade de um dia a dia de dois amantes fugidos na cidade do amor é o ponto alto de um livro que tinha pano de fundo histórico mais interessante para o leitor. A história de Dora Maar – artista e amante de Picasso – surge na sinopse como uma lufada de ar fresco para os leitores indecisos. Mas este livro não é sobre Dora Maar e Picasso. Estas duas personagens servem apenas de apoio ao casal principal, de forma a servir de comparação: Carlos como um Picasso, Raquel como Dora Maar. Os paralelismos entre as relações cingem-se sempre pela forma artística e da junção da pintura para com o sexo. As várias cenas eróticas aliam-se á arte, e no sexo, arte é descrita através das descrições que estão longe da mestria ao provocar excitação ao leitor. Os cenários escolhidos são, na sua maioria, repetitivos e as personagens falham em comunicar o seu amor para o leitor, visto estarem já conquistadas e no centro de uma relação. O leitor é deixado de parte em relação às personagens que nunca entram de cena, mas que têm um peso na relação do casal: porque é que Raquel se sente afastada do seu marido, porque é que o trai em vez de pedir o divórcio antes de partir para Paris? Porque é que “abandona” e “negligência” a sua filha, ao esquecer-se de lhe telefonar e pensar nela apenas ocasionalmente? Carlos aparece ao longo da narrativa como um pai ausente, embora as personagens esforcem-se para mostrar que é um bom pai e quase uma vítima. O relacionamento torna-se uma espécie de obsessão para Raquel, que perde-se no trabalho e mistura a relação profissional com a sexual.

A história assume um ritmo monocórdico, sem grandes altos desrespeitando assim as estruturas tradicionais, não havendo clímax da narrativa, nem perigo para as personagens. A relação de Carlos e Raquel é perfeita, sem atritos e o leitor assume um papel passivo sem grandes envolvimentos emocionais em relação às personagens. “Sob o céu de Paris” pode não satisfazer todo o tipo de leitores, especialmente os compulsivos, mas poderá agradar a amantes com maturidade que queiram redescobrir a arte através da pintura e do sexo.

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