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Ensaios sobre açoitamentos
Anónimo

Editora: Publicações Europa-América
Colecção: Grandes clássicos eróticos

Original: The Whippingam papers

Este livro esquecido nas prateleiras portuguesas surge com uma série de ensaios das mais variadas formas: ora em poesia, pequena peça de teatro, conto ou mesmo anúncio sobre, claro está, açoitamentos. De título original “The whippingham papers”, embora a maior parte das edições declarem o autor como anónimo, a sua edição original em 1887 é atribuída a Edward Avery (um editor de pornografia vitoriano) e St George Stock. As contribuições para este volume são ainda atribuídas a Algernon Charles Swinburne, ainda que no anonimato (várias vezes nomeado para o prémio Nobel).

O livro é um aglomerado de textos sadomasoquistas pouco convencionais, todos eles são um hino à flagelação desde o primeiro açoitamento, aos flagelos de rabos já vermelhos e marcados “Tudo eram vergões e vincos vermelhos,/ onde cada golpe sangrava em pequenos rios.” (22) As descrições vividas e com pouco aso a reflexões tornam o livro mais pornográfico do que erótico. Não existem palavras bonitas, nem momentos de romantismo. “O açoitamento é tão sensual como qualquer outro prazer” (46). A moral vitoriana ensinada na escola é desmistificada através deste livro. Durante o século XIX, cerca de metade da pornografia tratava de auto-flagelo, principalmente devido à educação levada a cabo pelos tutores. Este tipo de imagens sucedem em “Ensaios sobre açoitamentos” através dos textos “O Açoitamento de Artur”, “O Primeiro Açoitamento de Um Rapaz”, “Uma Visita à Senhora Vergasta, à Menina Vem-se Tarde, à Menina Troca-se Toda, à Menina Coceguenta” e “Jovens Senhoras da Academia”. Às mulheres cabiam-lhe um papel maioritariamente submisso, contudo, como se demonstra no livro muitas mulheres assumiam o controlo e açoitavam o homem, já habituado na escola. Para ambos os sexo, o primeiro açoitamento poderia constituir um episódio traumático, ou uma fantasia que se viria a repetir no futuro.

Ao leitor a carga erótica composta nas diversas histórias não o atinge directamente. As sucessivas odes de apreço ao açoitamento podem ser de forma neutra durante o livro até à última página, onde fica o vazio e a vontade de receber umas boas palmadas. O leitor que não espere um ensinamento de como espancar, mas sim um conjunto de textos de época arrojados que representam o outro lado do (i)moralidade vitoriana.

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2 thoughts on “O outro lado da moral vitoriana

  1. Pingback: O outro lado da moral vitoriana | Nanozine | Scoop.it

  2. Olá

    Perante a temática, não resisto a sugerir para a pesquisa um autor ainda mais antigo, do séc XIII, galego, verdadeiramente destravado: Fernando Ésquio, com a sua canção incluída no Cancioneiro da Biblioteca Nacional que começa assim:

    “A um frade dizem escaralhado,
    e faz pecado quem lho vai dizer,
    ca, pois el sabe arreitar de foder,
    cuid’eu que gaj’é de piss’arreitado”

    O interesse é percebermos a quanto remonta a literatura erótica, mais do que às vezes somos levados a pensar.

    Um abraço

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