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Alma Rebelde é o livro de estreia de Carla Soares. Aproveitando a onda de romances históricos light no nosso mercado, a Porto Editora dá uma cartada espectacular para mostrar que o que é português tem qualidade. Num romance que nos faz lembrar Lisa Kleypas e Johanna Lindsey nos seus momentos altos de carreira, Carla Soares cria um romance envolvente, que irá deleitar muitos leitores masculinos e femininos. Não importa o sexo do leitor quando um livro está bem escrito.

Alma Rebelde dá início à história com as dúvidas de Joaninha, uma personagem que muito nos relembra a Joaninha de “Viagens na minha terra” de Garrett. Joana parece uma pessoa insegura no início, mas aos poucos mostra a sua personalidade forte, muito devido às investidas de Santiago, o seu noivo que nunca a viu e tem receio que a sua noiva não seja bem uma mulher aceitável. Seguindo uma estrutura clássica, a autora mostra de forma eficiente o desenvolvimento das personagens, embora a estrutura da história seja algo previsível. Ainda assim, a autora não desilude um leitor mais experiente. A forma como somos envolvidos na história não existe margem para haver um final triste.  Não há lugar hoje em dia para um final à Hemingway ou Tolstoy. O público fartou-se de ter de conviver com a amargura da vida e espera que na ficção as personagens principais sejam brindadas com um final feliz. Não há lugar para a Bovary, nem para a Karenina no mundo editorial de hoje. A química entre o casal é quase instantânea, muito por causa do físico apelativo de Santiago, mas mais pela personalidade e diálogos que dão vida e credibilidade à personagem.

Mas não é só de temas do amor que dão vida a este romance. Uma vertente de romance epistolar é introduzida para dar dinâmica entre a personagem da Joaninha e a sua prima, vítima de abusos e de um casamento mísero. A autora tem cuidado para mostrar que nem todos os casamentos tinham um final feliz. Recorrendo num misto de mostrar e contar, os detalhes históricos são camuflados no meio da narrativa, mas a autora fez mais pesquisa que muitos romances estrangeiros da mesma categoria. Os factos históricos fluem naturalmente e não se prendem somente com os vestidos ou elementos de aparência.

Alma Rebelde pode dar início a uma nova moda em Portugal, onde os escritores portugueses desviem os seus romances históricos para dar lugar a menos informação condensada e mais espaço para o romance ser desenvolvido. A desconfiança de uma capa com um autor novo nem sempre deverá ser olhada com desconfiança e a Porto Editora fez a aposta correcta. Embora o livro parece ter sido acarinhado pela maioria dos blogues literários, as revistas deixaram passar o romance quase incógnito. Será que a crítica literária não está preparada para lidar com um simples romance histórico leve? Estão os novos autores designados aos blogues literários e ao abandono de uma projecção maior? Esperemos que este deslize tenha sido apenas um lapso e que no futuro os autores, cuja obra está a dar os primeiros passos tenha o apoio de toda a comunicação social, porque no fundo merecem.

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