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Carlos Silva é o fundador da Lusitânia, uma revista que sairá em Novembro deste ano e que conta com uma equipa de cinco pessoas. Como tivemos o prazer de estar com ele pessoalmente no EuroSteamCon no Porto, não o deixamos regressar a Lisboa sem antes lhe fazer umas perguntas.

Nanozine: Olá Carlos, obrigado por teres aceitado a entrevista. A primeira pergunta prende-se com este tipo de iniciativa que é a Lusitânia. As pessoas notam que o fandom está a começar a ter bastante atividade e perguntam se nós não fazemos mais nada da vida. O que é que leva um rapaz pacato e calmo a começar uma revista

Fala-se muito por aí, talvez motivado pela chamada Crise, que é preciso empreendedorismo. Ora, o empreendedorismo não se trata apenas de ter ideias geniais e fundar empresas, mas sim de sairmos da nossa zona de conforto e atrevermo-nos a fazer algo que nos apaixona. Pessoalmente, penso que o surgimento deste tipo de iniciativas é um indicador de saúde da comunidade de fãs de literatura e dos seus autores. Acabam por, conscientemente ou não, colmatar a falha que existe ao nível das incubadoras literárias. Acho que ninguém pode esperar que os grandes autores surjam do nada, caídos do céu, irradiando genialidade adquirida num evento de epifania. Existirem publicações da natureza das fanzines dentro das quais a Lusitânia e a Nanozine se inserem é algo que traz agitação ao meio literário e, tal como na química, a agitação impede que as suspensões estratifiquem.



Nanozine: Que tipo de incertezas assolam os editores durante a fase inicial deste tipo de projectos?

Será que vão enviar material? Será que o material vai ser bom? Será que a escolha que eu fiz é a acertada? Como vão os leitores reagir? Será que o design da fanzine vai estar à altura do material literário? Será que vou ficar na penúria financeira depois disto? Estas são as perguntas que mais vezes me assolam as noites de insónia. E hoje em dia, com os crescentes meios de interligação e comunicação, a angústia é ainda maior. Veja-se o exemplo do último número da Bang! que, mesmo sendo uma das publicações mais comentadas e apreciadas (e a única profissional, fora a revista da Bertrand) sente necessidade que os fãs lhe reafirmem a qualidade e utilidade. Se o colosso editorial que é a Saída de Emergência sente estas urgências, imaginem nós, os editores de fanzines.

Nanozine: Como espectador e também agora fundador e coordenador da Lusitânia, na sua opinião a que tipo de causas atribui o esmorecer de muitas fanzines?

Em primeiro lugar, serem fanzines. Nenhum dos autores, ilustradores e editores são pagos. Era algo excelente se existisse alguma revista de contos/literária (apenas conheço a LER, que se orienta mais na direcção das crónicas que dos contos) profissional em que os autores fossem recompensados pelo seu tempo e esforço e os editores se pudessem dedicar a tempo inteiro. À falta disso, todas as fanzines estão limitadas pelo tempo e recursos de um conjunto de pessoas que faz tudo por carolice.

Outra razão é a falta de escritores e leitores. Há sempre o risco de demasiada oferta de espaço nas fanzines, não acompanhado pela taxa de produção literária dos autores (o facto de não serem profissionais pode contribuir para este fenómeno). Quando isso acontece, ou a qualidade diminuirá ou as fanzines terão de ser lançadas menos amiúde.

A falta de leitores pode-se dar por todas as fanzines que conheço estarem demasiado viradas para dentro, para a comunidade de onde germinaram. Pegando na ficção especulativa: existem imensos leitores fora das comunidades que receberiam de bom grado, ou aprenderiam a fazê-lo, este tipo de publicações. O passo limitante é descobrir como chegar a esses leitores sem espaço expositivo nos locais onde eles compram o material que consomem. Eu ainda não sei. Se alguém souber, avise-me.

 

Nanozine: Na Eurosteamcon colocaram esta foto para os visitantes fazerem a legendagem, assim muito rapidamente o que escreveria?

 

“Embora os seus métodos fossem pouco ortodoxos, a Baronesa da Trindade detinha o melhor restaurante de sashimi do Porto”


Nanozine: Para terminar, apenas mais uma questão. Colabora no site do Fantasy&co., publicou um conto de FC na Vollüspa, no Almanaque Steampunk e em Novembro lançará um conto na Antologia Electropunk, publicada pela Saída de Emergência. Como divide o papel de escritor e editor de uma revista?

E ainda tenho de acabar o curso em Engenharia Biológica e ter vida pessoal. Sinceramente não sei como é que a minha máquina do tempo ainda não se avariou com o uso. Espero conseguir organizar-me sempre para me dedicar ao que gosto e fazê-lo com qualidade. A edição da revista ainda é uma aventura que estou a descobrir. Em novembro, quando sair o primeiro número, poderei fazer um balanço mais próximo da realidade.

Não se esqueçam de visitar o blogue da Lusitânia: http://revistalusitania.blogs.sapo.pt/ e ainda o Facebook da mesma: http://www.facebook.com/RevistaLusitania?fref=ts. Podem seguir o seu site/blogue Abracadabra: http://carlossilva.webs.com/apps/blog/

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